
Quem se lembra da história do filme Mensagem para Você?
- Ah, é um filme de mulherzinha em que a Meg Ryan e o Tom Hanks se apaixonam pela internet.
Não. Quero dizer, é. Mas não é só isso.
No filme, a personagem de Meg Ryan é dona de uma pequena livraria na esquina. Fundada pela sua mãe, essa livraria atende seus clientes de maneira muito informal, calorosa e íntima. Tom Hanks, por outro lado, é dono de uma grande cadeia de megalivrarias, daquelas onde você encontra de tudo e os descontos são bastante atrativos. A pequena livraria da esquina não tem condições de dar tantos descontos e, por isso, fecha as portas.
Para quem ficou com muita raiva do personagem do Tom Hanks e sua livraria impessoal e fria, talvez agora venha a revanche. Grandes redes de livrarias fora do Brasil estão fechando diversas lojas, pedindo concordata e descobrindo no livro eletrônico um terrível concorrente.
Quem já veio a São Paulo e entrou na Livraria Cultura da Avenida Paulista dificilmente não ficou boquiaberto. O lugar é lindo, a oferta de livros é quase incontável e nem nos lembramos mais daquelas livrarias pequeninas e intimistas. Queremos mesmo é vivenciar a experiência de estarmos cercados por livros por todos os lados.
O que não falta na Livraria Cultura são clientes. Eu sei, eu trabalhei lá. É loucura.
Mas tenho visto cada vez mais notícias de livrarias fechando as portas. Nos Estados Unidos, a rede Borders, uma das maiores representantes das megalivrarias no país, pediu concordata. Está devendo rios de dinheiros para editoras e terá de fechar 30% das suas lojas.
Além disso, recebi há alguns dias a notícia de que a maior rede de livrarias da Austrália, a Angus & Robertson, não está conseguindo lidar com a concorrência com os livros da Amazon (que faz até entregas sem frete pelo país) e entrou em “administração voluntária”, o que, na lei australiana, é um passo antes da concordata.
E, no mês passado, Luiz Schwarcz interrompeu suas férias para postar, no blog da Companhia das Letras, a notícia do fechamento da melhor loja (na sua opinião) da gigante Barnes & Noble.
Enquanto isso, desde que saí de lá, a Livraria Cultura abriu pelo menos mais cinco lojas pelo país e planeja abrir ainda mais.
Ahn?
É, dizem que, no Brasil, as coisas chegam um pouco mais tarde. O livro eletrônico ainda não estourou por aqui, os leitores ainda são caros e as lojas virtuais (mesmo que vendam livros de papel) são ainda das próprias livrarias. Mas vocês acham que demora?
Pensem bem, quantas lojas de CDs ainda vemos por aí? E quantos CDs vocês compraram ano passado?
O futuro tarda, mas não falha. Logo aproveitaremos todos os benefícios do livro eletrônico (na minha opinião, são muitos e logo mais escreverei a respeito), mas também lidaremos com as desvantagens.
Querem um conselho? Vão dar uma volta na livraria ainda hoje, ok?! Não demorem muito para fazer isso.
Um comentário:
Adoro Mensagem para você!
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